Ressonância ou ultrassonografia? Como o setor de imagem escolhe o método para lesões musculoesqueléticas

Quando a ressonância magnética e quando a ultrassonografia são o método indicado para lesões de ombro, joelho e tendões, e o que cada exame detecta.

Ressonância magnética e ultrassonografia não competem: cada uma responde melhor a uma pergunta clínica diferente. A ultrassonografia é dinâmica, avalia tendões e partes moles em movimento e não usa radiação; a ressonância mostra estruturas profundas, cartilagem, medula óssea e o interior das articulações com alta resolução de contraste. No setor de diagnóstico por imagem, a escolha entre os dois métodos parte da suspeita clínica, da região examinada e da experiência de quem realiza e interpreta o exame.

O que a ultrassonografia enxerga no aparelho locomotor

A ultrassonografia musculoesquelética é operador-dependente, ou seja, o resultado varia com a habilidade de quem faz o exame. Em mãos experientes, ela detecta com precisão lesões de tendão, bursas, coleções líquidas e alterações da superfície óssea acessível.

Um estudo publicado na Radiologia Brasileira em 2015 analisou 2.547 laudos de ultrassonografia de ombro ao longo de quatro anos. A tendinopatia calcária do manguito rotador esteve presente em 141 desses exames, e em 7 desses casos a ultrassonografia identificou envolvimento ósseo secundário, com erosão da cortical adjacente à calcificação em todos os sete. O achado, confirmado por tomografia, mostra que a ultrassonografia é capaz de flagrar alterações ósseas que costumam passar despercebidas. O trabalho teve entre seus autores o radiologista Dr. Mario Müller Lorenzato (RQE 53037), com atuação em ultrassonografia e ressonância musculoesqueléticas em Ribeirão Preto.

Quando a ultrassonografia se aproxima da ressonância

Em algumas indicações, a ultrassonografia tem desempenho comparável ao da ressonância. Um estudo de validação apresentado em congresso avaliou a extrusão meniscal medial em 93 pacientes, usando a ressonância como padrão de referência. A ultrassonografia alcançou sensibilidade de 95% e 96% entre os dois leitores, com concordância substancial nas medidas. Para essa pergunta específica, um método mais rápido e sem radiação entrega informação clínica confiável.

Quando a ressonância é insubstituível

A ressonância continua sendo o método de escolha para lesões intra-articulares profundas, avaliação de cartilagem, medula óssea e ligamentos. Ela também permite comparar protocolos e sequências conforme a suspeita, algo que exige leitura subespecializada em radiologia musculoesquelética. Casos raros ilustram por que a imagem detalhada importa: um relato publicado na Radiologia Brasileira em 2016 descreveu a interposição de cotos do manguito rotador dentro da articulação glenoumeral após trauma, uma complicação incomum que só foi caracterizada corretamente pela ressonância antes da cirurgia.

Critérios para decidir o método

  • Estrutura-alvo: tendões superficiais e avaliação dinâmica favorecem a ultrassonografia; cartilagem, meniscos e medula óssea favorecem a ressonância.
  • Necessidade de comparação intra-articular: lesões dentro da articulação pedem ressonância.
  • Experiência do examinador: por ser operador-dependente, a ultrassonografia depende de quem a realiza.
  • Contexto do paciente: ausência de radiação e menor custo tornam a ultrassonografia útil como primeira linha em várias situações.

Perguntas frequentes

A ultrassonografia substitui a ressonância no ombro? Depende da pergunta clínica. Para tendinopatias e algumas lesões do manguito, a ultrassonografia é bastante informativa, inclusive para envolvimento ósseo secundário. Para lesões extensas e avaliação articular profunda, a ressonância costuma ser indicada.

Por que a ultrassonografia é chamada de operador-dependente? Porque a captura e a interpretação das imagens acontecem em tempo real, durante o exame. A qualidade do resultado está diretamente ligada à experiência de quem realiza o procedimento.

A ultrassonografia detecta problemas no osso? Ela avalia a superfície óssea acessível. Em tendinopatia calcária do manguito, por exemplo, pode identificar erosão da cortical adjacente à calcificação, achado depois confirmável por tomografia.

Qual exame pede menos preparo e não usa radiação? A ultrassonografia não utiliza radiação ionizante e, em geral, dispensa preparo específico, o que a torna conveniente em muitas indicações musculoesqueléticas.

Referências

  • Nogueira-Barbosa MH, Gregio-Junior E, Lorenzato MM. Estudo retrospectivo dos achados da ultrassonografia no envolvimento ósseo associado a tendinopatia calcificada do manguito rotador: resultados preliminares de uma série de casos. Radiologia Brasileira, 2015; 48(6):353-357.
  • Agnollitto PM, Chu MWK, Lorenzato MM, et al. Interposição dos cotos do manguito rotador na articulação glenoumeral: uma complicação rara da lesão traumática do manguito rotador. Radiologia Brasileira, 2016; 49(1):53-55.